O tesoureiro da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Marília, Gilberto Joaquim Zochio, considerou elevado o valor atingido pelo “Impostômetro”, placar eletrônico que totaliza os pagamentos de tributos dos brasileiros que atingiu a marca de R$ 2 trilhões na quinta-feira, dia 29. “Isto quer dizer que boa parte do empresariado e da classe produtiva cumpriu a parte que lhes cabe”, disse o dirigente, ao lembrar que o “Impostômetro”, foi criado da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e que as 21h, superou a marca de R$ 2 trilhões. “Esse valor representa o total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes desde o início do ano”, enfatizou o dirigente mariliense.

Esta é a primeira vez que o painel eletrônico registrou a cifra antes de terminar o ano. “Mas é o segundo ano consecutivo que atinge a marca de R$ 2 trilhões numa temporada”, destacou ao lembrar que a última vez foi em 2015. “Nesses dois anos, o PIB caiu mais de 7% e a atividade econômica retraiu muito”, quis justificar o dirigente, mesmo considerando elevado o valor. “E mesmo assim chegamos a esse montante, em razão da inflação alta no período”, acrescentou o tesoureiro da diretoria.

Para o presidente da associação comercial, Libânio Victor Nunes de Oliveira, com preços mais altos, os valores arrecadados em tributos também crescem, uma vez que incidem sobre os preços finais. “É como se fosse uma bola de neve”, comparou. “Maior valor, maior o imposto”, ressaltou ao verificar que a projeção dos especialistas é que o Impostômetro feche o ano de 2016 com arrecadação de aproximadamente R$ 2,004 trilhões. “O pior é que mesmo com esse dinheiro todo o Governo não ofereceu um serviço com qualidade”, reclamou. “Não é questão de pagar o imposto, e sim, de não receber nada em troca”, lamentou o dirigente mariliense que também considera a lei do teto nas despesas públicas como insuficientes para diminuição do “custo Brasil”.

De acordo com Libânio Victor Nunes de Oliveira o ano de 2017 é uma grande incerteza no aspecto econômico. “Esse é o maior problema: a dúvida”, ressaltou o presidente da associação comercial de Marília que espera uma inflação menor e um nível de atividade maior, o que deve beneficiar a arrecadação, sem a necessidade de aumento de impostos. “Mas o principal é a necessidade de corte dos gastos por parte do governo”, repetiu.

O Impostômetro e o painel informativo foram implantados em 2005 pela Associação Comercial de São Paulo para conscientizar o cidadão sobre a alta carga tributária e incentivá-lo a cobrar os governos por serviços públicos de qualidade. Está localizado na sede da entidade, na Rua Boa Vista, centro da capital paulista. Outros municípios se espelharam na iniciativa e instalaram painéis, como Florianópolis, Guarulhos, Manaus, Rio de Janeiro e Brasília. No portal da ACI de Marília, www.acim.org.br, é possível acompanhar a arrecadação “on line”.