O superintendente da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Marília, José Augusto Gomes, avalia a recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, que apurou aumento na taxação das bebidas e nos preços das passagens aéreas que influenciam a alta neste ano, por serem destacadas no verão brasileiro, que tem se mostrado instável entre chuvas e calor intenso. Produtos tipicamente consumidos no verão estão 9,25% mais caros neste ano, é o que mostra este estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). “Isso quer dizer que um determinado segmento do comércio varejista está se desenvolvendo acima da média”, destacou o dirigente mariliense ao lembrar que o comércio sempre se adapta as crises econômicas.

De acordo com o dirigente da associação comercial de Marília apesar da instabilidade econômica no Brasil, sempre um lado do comércio se destaca dos demais. “A média está sofrendo com a queda do poder econômico do consumidor”, disse. “Mas por outro lado, o verão faz com que a procura de produtos e serviços relacionados ao calor cresça nesta época do ano”, falou ao verificar a lista de produtos selecionados pela FGV que inclui 22 itens, e 9,25% de variação média dos preços entre janeiro e dezembro de 2016, na comparação com o mesmo período de 2015. “Isso acontece no frio, no calor, no outono e em todas épocas do ano”, generalizou.

Para José Augusto Gomes essa cesta de produtos do verão registrou inflação maior do que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da FGV, que fechou 2016 com alta de 6,18%. “Os principais vilões foram as passagens aéreas (35,92%), os refrigerantes light/diet (16,16%) e as frutas (14,99%), que registraram os aumentos mais expressivos”, apontou o dirigente mariliense que sempre acompanha as pesquisa desenvolvidas pela FGV. “É analisando os dados com antecedência, principalmente quanto as tendências, que é possível se planejar de acordo com a realidade”, ensinou ao chamar a atenção para as lojas deste segmento que se destacam no momento, pois, apesar da inflação, alguns produtos ficaram mais baratos neste período como são os casos: Erva mate (-12,05%), hotel (-1,62%), excursão e tour (-1,56%), entre outros que apresentaram quedas nos preços.

Nas justificativas dos especialistas e analistas da pesquisa, é preciso levar em consideração que houve aumento na taxação das bebidas, sendo que as passagens áreas, por conta da redução da concorrência e da influência do dólar, permaneceram em um patamar elevado. “A recessão colaborou para a redução dos preços relativos à hotelaria e aos eletrodomésticos”, apontou José Augusto Gomes que constantemente avalia as pesquisas de marcado para orientar os comerciantes associados da entidade. “Eletrodomésticos como ar condicionado (3,13%), geladeira e freezer (3,47%) e ventiladores (5,96%) subiram menos do que o IPC”, falou com a pesquisa em mãos.

O forte calor dos últimos dias pode manter esses preços pressionados, por conta da lei da oferta e da procura. “Quanto maior a procura, a tendência é o preço eleva-se”, disse. “Como não temos o controle do calor, fica difícil avaliar o período dos preços elevados, bem como o índice de crescimento dos valores”, disse o dirigente mariliense que pede cautela e bom sendo por parte dos comerciantes nesta sazonalidade.