
O vice-presidente da Associação Comercial e de Inovação de Marília (Acim), Marcelo Marcos Mantelli, está alertando os lojistas em geral para um atendimento diferenciado aos consumidores acima de 50 anos que somam 60 milhões de pessoas no Brasil, representando 30% da população e quase 50% da renda familiar. “Esse público movimenta R$ 2 trilhões ao ano, o equivalente a 17% do Produto Interno Bruto”, disse o dirigente de Marília ao apontar para uma fatia importante do comércio varejista. Segundo o representante da associação comercial mariliense, um tíquete médio deste público é três vezes superior ao do público mais jovem, além deles também fidelizarem marcas, comprarem produtos de maior valor e manterem a aquisição mesmo fora dos períodos de promoções. “Penso que o comércio em geral deve oferecer uma maior atenção a este pessoal”, falou o dirigente de Marília.
Marcelo Marcos Mantelli acredita que o peso econômico se reflete em diferentes setores. No mercado imobiliário, por exemplo, o grupo representa 74% do valor faturado; nas saúdes pública e privada, 70%; nas universidades, 56%; e em turismo e hotelaria, 50%. No atacarejo, cuja maior parte dos clientes é formada por essa parcela populacional, houve crescimento de 141%. “Apesar desse peso econômico, poucas empresas contam com estratégias direcionadas a essa clientela, que não se restringe aos canais físicos”, falou ao estudar o assunto. “Precisamos quebrar paradigmas, afinal, o consumidor 50+ está em todos os canais”, alertou ao dizer que se trata de um cliente que, na sua jornada de decisão de compra, passa por vários ambientes.
Segundo o Censo 2002, naquele ano, já havia no Brasil 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população. Em apenas 12 anos, esse contingente cresceu 56%. Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu para 1,55 filho por mulher, o menor nível já registrado no País. A combinação entre maior longevidade e menor número de nascimentos está alterando progressivamente a estrutura etária nacional. “Ainda enxergamos nosso País como uma nação jovem, com foco primordial das marcas na juventude. Os dados, contudo, apontam em outra direção: a expectativa é de que o País se torne o sexto maior entre as nações com populações mais velhas”, falou Marcelo Marcos Mantelli ao prever que, em três décadas, a perspectiva é que fique ainda mais longevo, enquanto a população tem cada vez menos filhos.
As pesquisas mostram que a grande reclamação deste segmento é a dificuldade com o atendimento. De acordo com os dados, 65% se mostram insatisfeitos com essa etapa. Há também um desejo de mais atenção do mercado: 87% pedem para serem ouvidos. “O varejo atualmente atende cinco gerações diferentes ao mesmo tempo, e para o Consumidor 50+ as empresas ainda não têm a inovação necessária para aproveitar as oportunidades com a “economia prateada”, que é um dos públicos de maior potencial de consumo”, falou ao fazer o alerta e esperar que o comércio desenvolva produtos específicos a determinada faixa etária, exigindo a revisão da experiência de compra como um todo — de comunicação e desenho das lojas a usabilidade de sites e aplicativos, meios de pagamento, pós-venda e capacitação das equipes.
LEGENDA – Vice-presidente da associação comercial, Marcelo Marcos Mantelli, alerta para o “Consumidor 50+”
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